GUSTAVO BOMBONATO

BIOGRAFIA

Obras autorais, arranjos e performances que conectam tradição e linguagem moderna, do Brasil para o mundo.
Atuação em palcos internacionais e cruzeiros ao redor do mundo.

A semente, em Votuporanga

Toda música começa antes da primeira nota. No caso de Gustavo Bombonato, começou em casa, no interior paulista, entre o rádio que tocava a viola raiz e a memória de um bisavô sanfoneiro. A vocação ele credita à avó, Joana Bombonato, e ao incentivo dos pais. A primeira tentativa foi o acordeão, mas, sem professor do instrumento em Votuporanga, o menino de nove anos sentou-se diante de um teclado. E não levantou mais.

Com seu primeiro professor, Valter Ferreira, aprendeu os choros que são quase um rito de passagem da música brasileira, Brasileirinho, Tico-Tico no Fubá,e as grandes orquestras de Glenn Miller e Ray Conniff. Dos nove aos dezoito anos, fez da região seu primeiro palco: tocou em corais de igreja, integrou a banda municipal Zequinha de Abreu, foi correpetidor de coral e orquestra em projetos escolares e, por quatro anos, tecladista e arranjador de uma banda de baile que rodava as cidades do estado sexta após sexta.

Tatuí: o divisor de águas

Em 2004, ingressou no Conservatório de Tatuí, e algo mudou. Naquele ano, o Festival Brasil Instrumental trouxe à cidade músicos de renome nacional e internacional, e Gustavo viveu de perto os workshops, as jam sessions noite adentro, a harmonia e a improvisação acontecendo diante de seus olhos. Foi ali que estudou com André Marques, pianista ligado a Hermeto Pascoal, de quem herdou uma convicção que carrega até hoje: a de que o universo é música, e que não existe fronteira real entre o erudito, o popular e o folclórico. Com ele, mergulhou nos ritmos brasileiros e expandiu de forma decisiva sua percepção musical.

 

Em 2009, recebeu o troféu de melhor aluno do pianista Fabio Torres, num grupo seleto que trocou uma semana de estudos com o músico do Trio Corrente. Foi em Tatuí, também, que gravou seu primeiro registro autoral em estúdio profissional.
Juan Pablo Torino - Chefe de Máquinas do Navio Monarch 2014.JPG

O mar como conservatório

A partir de 2010, a carreira de Gustavo ganhou o mundo. Por mais de uma década, foi pianista em navios de cruzeiro, Pullmantur, Viking, MSC, atravessando o Mediterrâneo, o Caribe, a Ásia e o Norte da Europa. Foi, em suas palavras, uma vida de “mentes conexas”: músicos de todas as origens partilhando ideias e intuições semelhantes.

 

O mar ensinou. Com o argentino Juan Pablo Torino, descobriu o tango em profundidade, hoje são sete composições suas no gênero, a primeira delas dedicada a ele. Com o contrabaixista Luizão Cavalcante, aprendeu uma lição que virou filosofia: tratar a música como uma surpresa constante, “porque não sabemos o final, e a surpresa é o que torna a música interessante.” Em Bergen, na Noruega, em 2018, sentou-se sobre uma pedra no alto de uma montanha, com lápis, papel de partitura e uma escaleta, e nasceu Dá-me a Paz. No Vietnã, diante de ilhas, cavernas e florestas, compôs sem parar.
Tocando para plateias de mais de trinta nacionalidades, aprendeu que a música boa atravessa qualquer fronteira, e que um chorinho, um baião ou um frevo encontram ouvidos em qualquer parte do mundo, mesmo entre quem nunca soube nomeá-los.

O compositor

Apesar do mar, Gustavo recusa o rótulo de “músico de navio”. A música, para ele, pode nascer em qualquer lugar, e a sua nasce, sobretudo, da criação autoral. São quatro álbuns que traçam essa evolução: o instrumental Novos Horizontes Apontam (2016), o piano solo De Tempos em Tempos (2017), o álbum de canções Um Respiro (2018) e o registro ao vivo Releituras de Sambas e Bossas (2022). Em todos, sua marca: reharmonizações ousadas, herança dos quatro anos de estudo com o maestro Cláudio Leal Ferreira, somadas a intuição e bom gosto.
Para Gustavo, música é vibração. “Após uma música ser composta, devemos tratá-la como uma vibração congelada, que carrega um sentimento.” É essa vibração que ele segue perseguindo, entre o ensino, os palcos e o próximo horizonte: o álbum inédito Do Baião ao Tango.
Maestro Cláudio Leal Ferreira - In Memória